segunda-feira, 29 de julho de 2019

Válvula Reguladora de Pressão nos testes de vazamento com Nitrogênio







Nitrogênio (N)


O Nitrogênio é um elemento químico com símbolo N. É encontrado na natureza na forma gasosa, forma molecular biatômica (N2),e na forma iônica (NH4+, NO2- e NO3-) além de diversos outros compostos orgânicos. Compondo 78% do ar atmosférico.

Em temperatura ambiente e pressão atmosférica, o Nitrogênio é um gás não inflamável, não tóxico, incolor, inodoro e insípido.


 O Nitrogênio gasoso é comercialmente encontrado em cilindros de aço de 1m³, 7m³ e 10m³ a uma pressão de 150 a 200 bar e em sua forma líquida, tanques criogênicos a uma temperatura de cerca de –196ºC.








 O fluido refrigerante R134A (gás) que percorre o sistema do ar condicionado automotivo não gasta e não fica velho, por isso é comum o procedimento de testes de vazamentos nas oficinas especializadas em ar automotivo. O teste é feito geralmente com nitrogênio sob pressão, pois ele é isento de umidade e seu custo não é muito elevado.


Outra utilidade do Nitrogênio nos veículos é a limpeza do sistema com o fluido 141B que necessita também da pressão de 70 (psi).

Por ser muito estável à variação de temperatura, a pressão sofre apenas pequenas variações o que aumenta a precisão na detecção de vazamentos.




Antes de começar a pressurização do sistema, devemos levar em consideração alguns procedimentos para evitar acidentes letais.



        
1-   Utilizar sempre a válvula reguladora de pressão na utilização do gás. A pressão de trabalho do cilindro varia de 15,0 a 20,0 mpa (150 a 200kgf/cm²).





2-   Utilizar equipamentos de segurança como: óculos com proteção lateral, luvas de raspa de couro e sapatos de segurança com biqueira de aço para o manuseio de cilindros.


3-   As válvulas reguladoras são encontradas em casas especializadas que comercializam o nitrogênio e ferramentas para manuseio destes fluidos. Essas válvulas são específicas para utilização com o nitrogênio, pois suas roscas e a faixa de pressão de trabalho também são específicas. A faixa de pressão no manômetro na linha de saída deve exceder a pressão de trabalho, ou seja, deve ser superior a 20 bar (300psi). Existem válvulas reguladoras com a pressão de saída máxima de 16bar, o que não atende os trabalhos com testes no sistema de ar condicionado automotivo.
O risco de utilizar um cilindro de nitrogênio sem esta válvula reguladora de pressão é muito grande e pode causar acidentes letais.


4-   É uma prática comum nas oficinas a utilização do Nitrogênio com a mangueira ligada direto do cilindro ao manifold, talvez por falta de conhecimento do perigo deste procedimento.

5-   O Nitrogênio não é inflamável, mas estamos falando de sua pressão altíssima, que se utilizada de forma descontrolada, pode romper mangueiras, tubos, cilindros, reservatórios, manifolds e muitos dos componentes do sistema de ar condicionado no veículo.

6-   Apesar de o nitrogênio ser um gás inerte (sem atividade ou movimentos próprios), em concentrações muito elevadas ele é asfixiante e deve ser estocado em uma área bem ventilada. O Nitrogênio é inodoro, portanto, você nunca saberá, através do olfato, se houve ou não vazamento. Não coloque os cilindros onde exista o risco de entrar em contato com um circuito elétrico, um curto circuito sobre o cilindro pode ocasionar um aquecimento localizado muito elevado comprometendo a resistência da parede do mesmo. Nunca utilize os cilindros como roletes e evite impactos. Ao utilizar cilindros de Nitrogênio, procure sempre fixá-los adequadamente de forma a evitar quedas acidentais.

7-   O Nitrogênio também é utilizado no processo de “Flush”, limpeza interna das tubulações do sistema. Ele não limpa nada, só serve para dar pressão e movimento ao fluido R141b, o solvente que remove o óleo com impurezas das paredes internas das tubulações, mas nestes casos, por motivos de segurança,  sua pressão deve ser limitada a cerca de 5bar (75psi) e isso pode ser obtido através da regulagem prévia da válvula reguladora de pressão.





Antes de pressurizar, retire todo o fluido Refrigerante R134a do sistema e de preferência, faça alguns minutos de vácuo, para retirar todos resíduos que podem se expandir e alterar o resultado do teste.

Procure sempre pressurizar o sistema pela linha de baixa, com o manômetro de alta, para que o Nitrogênio percorra o circuito, enchendo-o rapidamente, pois pela linha de alta, a pressão chega às placas de válvulas do compressor e não passa, sendo necessário que o Nitrogênio avance pela válvula de expansão, o que é mais demorado.

Note que se isso for feito, pouco depois a pressão tende a cair, como se fosse um vazamento, mas será apenas a equalização de pressão.

Utilize o manômetro de alta pressão, pois sua escala comporta esta pressão elevada, o manômetro de baixa não chega á esta pressão. Para estes testes de vazamento você pode deixar um manifold já pronto com os dois relógios de alta pressão, assim facilita e agiliza na hora de verificar os vazamentos.

Pressurize o sistema com o próprio Nitrogênio e teste todas as conexões , válvulas e pontos suspeitos com uma mistura de água e detergente. No local onde houver vazamento haverá formação de bolhas.

A maioria dos sistemas suporta bem até 300psi, mas recomendamos que se for aplicar pressões superiores a 200psi, com o sistema todo montado, deve ser feito com cautela, aumentando a pressão lentamente, por etapas, e escutando para verificar possíveis vazamentos. Pois se encher o sistema muito rápido e subitamente pode comprometer e até estourar componentes do ar condicionado.

Enquanto houver pressão no sistema, para teste de vazamento, este deve estar ligado e monitorado por um manifold. Antes de desconectar o manifold, despressurize o sistema devagar.

Não se deixa um sistema pressurizado sem um manifold. Não se deve ligar o compressor somente com a pressão no Nitrogênio. Para teste dinâmico, utilizar somente fluido refrigerante.




Evite ligar o compressor com pressão interna de Nitrogênio sob risco de danificar as placas do compressor. Isso é muito comum de acontecer, muitas vezes por descuido do reparador no ato da verificação.


Acima de tudo sempre esteja atento as recomendações de uso do fabricante, pois serve para proteção tanto do veículo quanto do aplicador.